O objetivo deste blog é fazer com que as pessoas compreendam como o futebol foi motivo de disputa política no período da Guerra Fria, situando o leitor quanto aos ditadores latino americanos, no intuito de construir uma identidade nacional, usaram a mídia, os planos de governo e o futebol como forma de legitimar seu poder. Acreditamos que o blog ajudará na compreensão das relações do esporte com a política, sabendo que neste ano ocorrem a Copa do Mundo e as eleições presidenciais no Brasil.
Blog criado por Jonas Davis do Nascimento, Rodrigo Santana de Oliveira e Tony Leandro de Souza. Alunos do 4ª ano Noturno do Curso de Graduação em História da Universidade Estadual de Londrina. Disciplina Tópicos de Ensino de História Contemporânea. Docente Professor Dr. José Miguel Arias Neto.
O documentário “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, produzido pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro investiga as relações entre o futebol e os braços armados das ditaduras militares em quatro países da América Latina: Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.
Com um episódio destinado à história de cada país, Lúcio de Castro remonta o período de instalação das ditaduras militares e as contextualizam, principalmente, com as seleções nacionais de futebol, que foram utilizadas pelos militares como instrumentos de propaganda do regime totalitário.
As ditaduras militares compreenderam o futebol não só como um veículo de propaganda, mas também um mecanismo de “circo” ao povo frente à censura e à repressão imposta.
O documentário “Memórias do Chumbo” retrata o futebol e as ditaduras em quatro países, no entanto, vale ressaltar que este texto centrar-se-á sobre o episódio brasileiro.
Memórias do Chumbo- O Futebol nos Tempos do Condor - Argentina
A Operação Condor foi uma ação conjunta de repressão a opositores das ditaduras instaladas nos seis países do Cone Sul: Brasil, a Argentina, o Chile, a Bolívia, o Paraguai e Uruguai. A função principal era neutralizar e reprimir os grupos que se opunham aos regimes militares montados na América Latina, como os Tupamanos no Uruguai, os Montoneros na Argentina, o MIR no Chile, etc. Montada em meados dos anos 1970, a Operação durou até o período de redemocratização da região, na década seguinte. A operação, liderada por militares da América Latina, foi batizada com o nome do condor, ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às suas presas.
A Guerra Fria na América Latina atingiu seu auge naquela época, quando os exércitos deixaram em segundo plano os inimigos além das fronteiras para combater inimigos internos. Esta idéia foi desenvolvida pelos EUA na Escola das Américas e disseminada pelas Escolas Nacionais de Guerra em países sul-americanos, através da "Doutrina de Segurança Nacional", com o apoio de serviços secretos no modelo da CIA. A população ficou dividida entre aqueles que apoiavam as ditaduras militares e os que se opunham, taxados de comunistas e subversivos, acusados de ter como objetivo conquistar país por país através de guerras revolucionárias. Como conseqüência, não se fazia distinção entre aqueles que meramente criticavam os regimes e os que pegavam em armas. Toda uma geração de líderes e intelectuais foi então dizimada. Partidos políticos, sindicatos, organizações estudantis e organizações de direitos humanos foram banidas e perseguidas.
Há fortes indícios de que essa ação conjunta entre os governos do Cone Sul contou não apenas com o conhecimento, mas também com o apoio do governo norte-americano, como demonstram documentos secretos divulgados pelo Departamento de Estado em 2001.
Em 1992, foi comprovada, através de documentos encontrados no Paraguai, a existência de um acordo costurado por todos os países do Cone Sul com o intento de facilitar a cooperação na repressão aos grupos e indivíduos opositores dos regimes militares que então governavam o Cone Sul. A operação, que começou como uma troca de informações entre os diversos países e a colaboração entre suas polícias secretas, passou aos poucos a envolver níveis mais altos de violência e desrespeito aos direitos humanos, com a troca de presos políticos, sequestros e assassinatos.
Conta um pouco da vida das pessoas que vivam na Alemanha Oriental desde o final da II Guerra Mundial até a queda do Muro de Berlim. Usaram vídeos caseiros de várias pessoas e famílias para contar um pouco do que acontecia. Muito bom.
Na realidade, os alemães não me davam pena nenhuma. No final de contas a guerra foi começada por eles, não por nós. Esta opinião, tal como expressou o responsável de imprensa estado-unidense Gene Mater, é partilhada por muitos dos antigos soldados norte-americanos que chegaram à Alemanha no final da guerra.
O período de 1945-1949 foi para muitos daqueles jovens combatentes a época mais importante da sua vida. A Alemanha americana relata-nos as histórias de reconciliação entre germanos e americanos desde a perspectiva das tropas de ocupação da época. Os estado-unidenses, que até então só conheciam os alemães pelo campo de batalha ou a propaganda, perceberam que a sua opinião sobre a população local mudava conforme desenvolviam a sua convivência. Naquela época, o tipo de trabalho que realizavam era pioneira: reeducar desde o ponto de vista político à população de um país vencido, levantá-lo economicamente e ajudar a sua gente a adoptar uma nova atitude perante a vida. Neste documentário, Gene Mater e outros soldados vencedores relatam as suas experiências na Alemanha. Descrevem-nos as misérias da Alemanha do pós-guerra, a desconfiança entre norte-americanos e locais, o mercado negro e a procura de nazis escondidos. E também falam-nos sobre grandes emoções, de amor entre os escombros, que, naquela época, não se tratava de um cliché, mas de uma realidade mil vezes repetida...
Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental em consequência da bipolarização mundial. Nos anos que se passaram em que o país estava dividido, os alemães ocidentais capitalistas e os alemães orientais socialistas conseguiram, graças ao acentuado empenho e à ajuda financeira externa, reestruturar-se das desmedidas perdas ocorridas na Segunda Guerra.
Mapa 1 - Alemanha dividida.
Mapa 2 - A divisão de Berlin
Na década de 60, os alemães ocidentais possuíam um padrão de consumo muito além do padrão oriental. Através de recursos norte-americanos, a economia da Alemanha ascendia substancialmente, tanto que o produto interno bruto (PIB) do lado ocidental alcançou o de países como Inglaterra e França.
Esse fato corroborou para a crescente evasão de alemães orientais, desgostosos com o regime socialista, para a Alemanha Ocidental. Em agosto de 1961, a quantidade de alemães deslocados para a parte ocidental chegou a quarenta mil. Diante disso, as autoridades da Alemanha Oriental determinaram a construção do famoso Muro de Berlim. Esse muro dividiu fisicamente as Alemanhas e foi o principal marco da Guerra Fria e da separação do mundo entre as duas ideologias contrárias, o capitalismo e o socialismo.
Vídeo 1 - Reportagem a respeito da Construção e queda do muro de Berlin.
Em 1974 foi realizada a Copa do Mundo de futebol e a sede foi a Alemanha Ocidental. Quiz o destino que no sorteio de grupos Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental caíssem no mesmo grupo. O time ocidental possuía os melhores jogadores, contudo, para surpresa geral, que saiu vencedora foi a equipe oriental.
História do Jogo
Segundo as estatísticas oficiais da Federação Internacional de Futebol, havia 60.350 torcedores no estádio, sendo apenas dois mil deles da Alemanha Oriental. Todos escolhidos cuidadosamente pelo Partido Socialista Unificado da Alemanha.
As duas seleções estavam classificadas e disputavam o primeiro lugar do grupo. O time ocidental era comandado por Helmut Schön, um alemão nascido em Dresden, na Alemanha Oriental, que chegou a treinar a seleção do Sarre – região que a Alemanha disputava com a França e que foi independente entre 1950 e 1957 (até se juntar à Alemanha Ocidental). A grande estrela da equipe era Franz Beckenbauer, mas o time contava ainda com atletas famosos como Sepp Meier, Berti Vogts, Paul Breitner, Wolfgang Overath, Gerd Muller e Uli Hoeness. Era um esquadrão, que poderia mesmo vencer, e até golear, a Alemanha Oriental.
Todos esperavam um clima de guerra entre as seleções e que os orientais fossem jogadores violentos e sem caráter. O que se viu não foi isso. A partida foi muito disputada, mas limpa – e teve até uma troca de camisas depois do apito final, mas longe dos olhos do público, para evitar reações do governo comunista.
Vídeo 2 - Lances da Partida Histórica
Aos 23 minutos do segundo tempo, a história foi escrita. O alemão oriental Jürgen Sparwasser recebeu no meio de três defensores, entrou na área e chutou forte, no alto. O gol que abriu o placar no histórico confronto foi também o gol da vitória da Alemanha Oriental sobre os favoritos anfitriões alemães ocidentais na única partida da história entre as duas seleções.
Com a vitória, a Alemanha Oriental ficou em primeiro lugar em sua chave e disputou uma vaga na final com Argentina, Brasil e Holanda. Perdeu duas partidas, empatou uma e foi eliminada. A Alemanha Ocidental, por sua vez, enfrentou Polônia, Suécia e Iugoslávia. Ganhou os três jogos, chegou à final e foi campeã ao vencer a Holanda.
No livro Tor! The Story of German Football (Gol! A História do Futebol Alemão), lançado em 2003, o jornalista Ulrich Hesse-Lichtenberger diz: “A Alemanha Oriental não era um adversário normal e o jogo não era apenas uma partida qualquer, mas uma ocasião com ressonância histórica profunda”.
A Guerra da Coreia é fruto da disputa velada entre os Estados Unidos e a ex-URSS, antigos aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Ao final desta, em 1945, estes países dividiram a Coreia em duas zonas de influência, com o sul ocupado pelos norte-americanos e o norte dominado pela União Soviética. Em 1947, na tentativa de unificar a Coreia, a Organização das Nações Unidas – ONU - cria um grupo não autorizado pela URSS, para pretensamente ordenar a nação através da realização de eleições em todo o país. Esta iniciativa não tem êxito e, no dia 09 de setembro de 1948, a zona soviética anuncia sua independência como República Democrática Popular da Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte. A partir de então, a região é dividida em dois países diferentes - o norte socialista, e o sul, reconhecido e patrocinado pelos EUA.
Para saber mais assista os vídeos abaixo:
Vídeo 1 - Guerra Fria - Coreia - 1949/1953
"Guerra Fria" é uma série televisão de 24 episódios sobre a Guerra Fria, que foi ao ar em 1998. O filme inclui entrevistas e filmagens dos eventos que moldaram as relações tensas entre a União Soviética e os Estados Unidos. Cada episódio se apresentam imagens históricas e entrevistas de ambos os algarismos significativos e outros que testemunharam eventos particulares. Essa série é sem precedentes por sua abrangência, sua vasta gama de entrevistas com muitos participantes diretos que, infelizmente, não está mais entre nós, e sua enorme coleção de imagens de arquivo a partir de ambos os lados da Cortina de Ferro. É uma história que deve ser contada e compartilhada por todo o mundo, por mais de quarenta anos a própria vida no planeta literalmente pendurado no balanço entre duas superpotências colossais.
EPISÓDIO 5: Em junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul, com a bênção de Stalin. Os Estados Unidos, apoiado pelas Nações Unidas, defende a Coreia do Sul, e, em seguida, é confrontado com a China comunista. Em meados de 1951, a guerra mói a um impasse sangrento, mas, eventualmente, um armistício é assinado.
Vídeo 2 - National Geographic - Zonas de Guerra - Coreia do Norte
A ideia do programa Zonas de Guerra é simples: mostrar histórias
que nunca foram contadas em países onde a morte, a destruição e a
desordem parecem reinar. Ainda assim, diariamente milhões de pessoas que
moram nestes locais continuam tocando a vida, sorrindo e lutando para
melhorar seu país, sua cidade e seu futuro.
Episódio Coreia do Norte
Além
de ser obrigado a se desfazer de seu celular, GPS e até do jornal,
Diego Buñel ainda precisa fingir que é ator para poder entrar na Coreia
do Norte. Cada passo seu é monitorado por dois observadores, que o
seguem aonde quer que ele vá.
Começando pela capital Pyongyang,
Diego hospeda-se em um hotel construído numa ilha. Lá, os visitantes são
impedidos de fazer contato com os locais e todos os quartos têm escuta
telefônica.
Quando vai a uma missa na cidade, Diego descobre que
não há padres ordenados na Coreia do Norte: a missa é celebrada por
membros do partido. Diego também visita um parque de diversões onde as
crianças têm a oportunidade de "acabar com o imperialismo americano"
através de um jogo.
Ao aventurar-se até o maior estádio do mundo,
Diego assiste a um espetáculo onde 100 mil dançarinos celebram os 60
anos de ditadura. Enquanto a cerimônia passa uma imagem de felicidade e
união, o quadro não é tão pitoresco no interior do país.
Os
efeitos da pobreza, da fome e da opressão deixaram marcas profundas nos
rostos das pessoas e na paisagem. Mesmo em Pyogyang, os sinais da
repressão se fazem presentes.
A contar pelo número de danças que
se pode encenar (de 5 a 7, de acordo com um membro do partido), até as
imagens de Kim Jung II, que estão por toda parte.
Alguns questionamentos:
1)Qual a influência da Guerra Fria na guerra das Coréias?
2)Como a China justificaria sua entrada na Guerra da Coreia?
Amplamente usado no período da Guerra Fria, o conceito “corrida armamentista” designava o confronto político ideológico envolvendo as duas superpotências à época, Estados Unidos e União Soviética, uma marca desse período foi a ausência de lutas aberta que fizesse uso de armas e violência, no entanto, as armas não foram ignoradas ou colocadas em segundo plano, a Guerra Fria foi um período de grande pesquisa e desenvolvimento de armas. Essa concorrência tecnológica proporcionava constantes atualizações e quase ao mesmo tempo em que um dos países lançava uma nova arma, seu adversário respondia à altura com outro invento. Essa intensidade de produção e tentativa de superação de seu concorrente assumiu proporções absurdas, constituindo uma quantidade de material bélico superior ao que a terra poderia suportar.
O ponta pé inicial dessa competição foi dado pelos Estados Unidos ao lançar sobre o solo japonês as duas bombas atômicas em 1945. No ano de 1949 foi à vez da União Soviética mostrar ao mundo seu poder anunciando o domínio da tecnologia nuclear construindo sua bomba, nesse momento os investimentos se intensificaram. Essa noticia alarmou o mundo constatado pelo terrível armamento, ainda no final do ano de 1952 os Estados Unidos descobriram a maneira de fazer a bomba H, bomba de hidrogênio, quatro mil vezes superior à potência da bomba atômica, porém, um ano depois a União Soviética possuía a mesma bomba. Com todo esse potencial de destruição em mãos opostas, desencadeou o pesadelo chamado “hecatombe nuclear” que assombrou a vida de todos os habitantes do planeta, em que a ação de qualquer dos lados poria fim à vida humana na Terra.
Surgiria assim um jogo político-diplomático macabro conhecido como "o equilíbrio do terror", que se transformou num dos elementos principais do jogo de poder entre EUA e URSS. Esta competição insana só teria fim algumas décadas depois com a assinatura dos Tratados de Redução de Armas Estratégicas (Start) I e II, em 1972 e 1993 que previam a extinção gradual dos arsenais dos EUA e de países da ex – URSS que detinham essas armas em seu território e mais adiante em 1996 o (CTBT) o Tratado para Interdição Completa dos Ensaios Nucleares, esse último ainda precisa para entrar em vigor, da ratificação dos 44 países conhecidos de capacidade de produzir armas atômicas.
Alguns questionamentos possíveis:
1)Quais eram as formas de envios de armas estratégicas no período da Guerra Fria e o que era a chamada, capacidade de segundo ataque? Explique.
A definição de Guerra Fria contrasta com a própria ideia de guerra que é composta de elementos cálidos e abrasadores, no entanto, o conceito indica uma guerra não declarada que faz uso de novas armas como a propaganda a espionagem e a intervenção militar, para defender seus próprios interesses e também ajudar seus aliados a expandir sua área de influência.
Considerado marco inicial da guerra fria, o discurso do líder inglês Winston Churchill que também cunhou o termo “cortina de ferro” que seria entendido a partir de então, como divisor e opositor de duas ideologias na Europa. A partir de então o mundo dividia se assim em dois blocos rivais e inconciliáveis (o capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o comunista, comandado pela União Soviética) a chamada bipolaridade.
Como parte dos esforços de afirmação de sua ideologia o presidente dos EUA, Harry Truman lança o plano Marshal, esse consistia em ajuda financeira a juros baixos no sentido de financiar seus aliados a se reestruturarem economicamente após a grande devastação causada pela guerra. A resposta da URSS veio em 1949, com a criação da Comecon como contestação no sentido de impedir seus aliados de se interessarem pela ajuda de seu oponente político. A Alemanha, no entanto, aderiu à proposta de ajuda financeira americana, provocando maior insatisfação pela URSS que bloqueou suas rotas terrestres que davam acesso a Berlim, porém os EUA continuou abastecendo sua parte de Berlim por vias aéreas, provocando assim a divisão da Alemanha em Alemanha oriental sob influência soviética e Alemanha ocidental de cunho capitalista e influenciado pelos EUA.