O objetivo deste blog é fazer com que as pessoas compreendam como o futebol foi motivo de disputa política no período da Guerra Fria, situando o leitor quanto aos ditadores latino americanos, no intuito de construir uma identidade nacional, usaram a mídia, os planos de governo e o futebol como forma de legitimar seu poder. Acreditamos que o blog ajudará na compreensão das relações do esporte com a política, sabendo que neste ano ocorrem a Copa do Mundo e as eleições presidenciais no Brasil.
Blog criado por Jonas Davis do Nascimento, Rodrigo Santana de Oliveira e Tony Leandro de Souza. Alunos do 4ª ano Noturno do Curso de Graduação em História da Universidade Estadual de Londrina. Disciplina Tópicos de Ensino de História Contemporânea. Docente Professor Dr. José Miguel Arias Neto.
Conta um pouco da vida das pessoas que vivam na Alemanha Oriental desde o final da II Guerra Mundial até a queda do Muro de Berlim. Usaram vídeos caseiros de várias pessoas e famílias para contar um pouco do que acontecia. Muito bom.
Na realidade, os alemães não me davam pena nenhuma. No final de contas a guerra foi começada por eles, não por nós. Esta opinião, tal como expressou o responsável de imprensa estado-unidense Gene Mater, é partilhada por muitos dos antigos soldados norte-americanos que chegaram à Alemanha no final da guerra.
O período de 1945-1949 foi para muitos daqueles jovens combatentes a época mais importante da sua vida. A Alemanha americana relata-nos as histórias de reconciliação entre germanos e americanos desde a perspectiva das tropas de ocupação da época. Os estado-unidenses, que até então só conheciam os alemães pelo campo de batalha ou a propaganda, perceberam que a sua opinião sobre a população local mudava conforme desenvolviam a sua convivência. Naquela época, o tipo de trabalho que realizavam era pioneira: reeducar desde o ponto de vista político à população de um país vencido, levantá-lo economicamente e ajudar a sua gente a adoptar uma nova atitude perante a vida. Neste documentário, Gene Mater e outros soldados vencedores relatam as suas experiências na Alemanha. Descrevem-nos as misérias da Alemanha do pós-guerra, a desconfiança entre norte-americanos e locais, o mercado negro e a procura de nazis escondidos. E também falam-nos sobre grandes emoções, de amor entre os escombros, que, naquela época, não se tratava de um cliché, mas de uma realidade mil vezes repetida...
Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental em consequência da bipolarização mundial. Nos anos que se passaram em que o país estava dividido, os alemães ocidentais capitalistas e os alemães orientais socialistas conseguiram, graças ao acentuado empenho e à ajuda financeira externa, reestruturar-se das desmedidas perdas ocorridas na Segunda Guerra.
Mapa 1 - Alemanha dividida.
Mapa 2 - A divisão de Berlin
Na década de 60, os alemães ocidentais possuíam um padrão de consumo muito além do padrão oriental. Através de recursos norte-americanos, a economia da Alemanha ascendia substancialmente, tanto que o produto interno bruto (PIB) do lado ocidental alcançou o de países como Inglaterra e França.
Esse fato corroborou para a crescente evasão de alemães orientais, desgostosos com o regime socialista, para a Alemanha Ocidental. Em agosto de 1961, a quantidade de alemães deslocados para a parte ocidental chegou a quarenta mil. Diante disso, as autoridades da Alemanha Oriental determinaram a construção do famoso Muro de Berlim. Esse muro dividiu fisicamente as Alemanhas e foi o principal marco da Guerra Fria e da separação do mundo entre as duas ideologias contrárias, o capitalismo e o socialismo.
Vídeo 1 - Reportagem a respeito da Construção e queda do muro de Berlin.
Em 1974 foi realizada a Copa do Mundo de futebol e a sede foi a Alemanha Ocidental. Quiz o destino que no sorteio de grupos Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental caíssem no mesmo grupo. O time ocidental possuía os melhores jogadores, contudo, para surpresa geral, que saiu vencedora foi a equipe oriental.
História do Jogo
Segundo as estatísticas oficiais da Federação Internacional de Futebol, havia 60.350 torcedores no estádio, sendo apenas dois mil deles da Alemanha Oriental. Todos escolhidos cuidadosamente pelo Partido Socialista Unificado da Alemanha.
As duas seleções estavam classificadas e disputavam o primeiro lugar do grupo. O time ocidental era comandado por Helmut Schön, um alemão nascido em Dresden, na Alemanha Oriental, que chegou a treinar a seleção do Sarre – região que a Alemanha disputava com a França e que foi independente entre 1950 e 1957 (até se juntar à Alemanha Ocidental). A grande estrela da equipe era Franz Beckenbauer, mas o time contava ainda com atletas famosos como Sepp Meier, Berti Vogts, Paul Breitner, Wolfgang Overath, Gerd Muller e Uli Hoeness. Era um esquadrão, que poderia mesmo vencer, e até golear, a Alemanha Oriental.
Todos esperavam um clima de guerra entre as seleções e que os orientais fossem jogadores violentos e sem caráter. O que se viu não foi isso. A partida foi muito disputada, mas limpa – e teve até uma troca de camisas depois do apito final, mas longe dos olhos do público, para evitar reações do governo comunista.
Vídeo 2 - Lances da Partida Histórica
Aos 23 minutos do segundo tempo, a história foi escrita. O alemão oriental Jürgen Sparwasser recebeu no meio de três defensores, entrou na área e chutou forte, no alto. O gol que abriu o placar no histórico confronto foi também o gol da vitória da Alemanha Oriental sobre os favoritos anfitriões alemães ocidentais na única partida da história entre as duas seleções.
Com a vitória, a Alemanha Oriental ficou em primeiro lugar em sua chave e disputou uma vaga na final com Argentina, Brasil e Holanda. Perdeu duas partidas, empatou uma e foi eliminada. A Alemanha Ocidental, por sua vez, enfrentou Polônia, Suécia e Iugoslávia. Ganhou os três jogos, chegou à final e foi campeã ao vencer a Holanda.
No livro Tor! The Story of German Football (Gol! A História do Futebol Alemão), lançado em 2003, o jornalista Ulrich Hesse-Lichtenberger diz: “A Alemanha Oriental não era um adversário normal e o jogo não era apenas uma partida qualquer, mas uma ocasião com ressonância histórica profunda”.