Tlachtli (América central - +- 900 a.C.)
O Tlachtli (também chamado Teotlachtli) possivelmente foi inventado pelos olmecas, visto que uma de suas esculturas mais famosas, “O Lutador”, seria, segundo especialistas, na verdade, um jogador de Tlachtli. Não se sabe como esse esporte era praticado entre os olmecas, mas sabe-se como o jogavam os povos da época da conquista e a homogeneidade era tão grande que se pode concluir que as regras não devem ter sido muito alteradas desde o período olmeca.
Antes de tudo, é necessário dizer que o Tlachtli não era um esporte praticado por qualquer pessoa e, muito menos em qualquer lugar. Tudo leva a crer que sua prática era revestida de rituais religiosos, visto que só existiam campos para a realização de partidas dentro dos centros cerimoniais e, no mais das vezes, em lugares de bastante destaque. Em algumas cidades as arquibancadas eram tão grande que se pode presumir que uma partida fosse um evento de confraternização entre a cidade e um outro povo próximo. Na própria Tenochtitlán, o Tlachtli era praticado no centro cerimonial, ou seja, na única área da cidade cuja circulação do indivíduo comum estava vedada.
Um observador que percorra todos os sítios arqueológicos conhecidos da Mesoamérica só encontrará dois tipos de campos (ou quadras) de Tlachtli: um em forma de “I” (como o número um em algarismos romanos, ou seja, com um traço em cima e outro em baixo) e o outro em forma de “T”. Isso que dizer que havia algumas variações de lugar para lugar, no entanto, o primeiro formato é o mais comum.
O esporte era praticado com uma bola de borracha maciça (mais um indício de que o jogo tenha sido criado pelos olmecas, visto que eles eram os Habitantes do País da Borracha, ou seja, viviam numa região onde as seringueiras, das quais é extraído o látex utilizado na confecção da borracha é retirado), que, aliás, era muito pesada (pesava entre 3kg e 5kg), o que demandava equipamentos de proteção aos jogadores.
Os times eram compostos de sete jogadores (todos homens, não há indícios de que mulheres tenham praticado o Tlachtli). Era proibido a qualquer jogador reter a posse da bola, sendo assim, o jogo era extremamente dinâmico, pois quem recebia, já passava a pelota. Por sua vez, a bola não podia ser chutada, nem cabeceada, nem mesmo tocada com as mãos; só era permitida a utilização dos joelhos, cotovelos e bacia para tocar a bola ou arremessá-la rumo ao aro de pedra preso na parede. Não havia tempo de duração máximo nem mínimo para uma partida, ela só terminava quando algum time conseguia o objetivo, sendo assim, devido à enorme dificuldade da façanha, acredita-se que muitas partidas levavam mais de seis horas para terminarem.
Referência:
http://www.nethistoria.com.br/secao/artigos/422/tlachtli_esporte_ou_ritual_de_sangue_/capitulo/3/
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