Blog criado por Jonas Davis do Nascimento, Rodrigo Santana de Oliveira e Tony Leandro de Souza. Alunos do 4ª ano Noturno do Curso de Graduação em História da Universidade Estadual de Londrina. Disciplina Tópicos de Ensino de História Contemporânea. Docente Professor Dr. José Miguel Arias Neto.
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domingo, 15 de junho de 2014

Origem do futebol - Shrovetide Football

“Shrovetide Football” (Inglaterra – 1.174 – 1.365)



O primeiro registro de um esporte semelhante ao futebol nos territórios bretões vem do livro Descriptio Nobilissimae Civitatis Londinae, de Willian Fitztephe, em 1175. A obra cita um jogo (semelhante ao soule) durante a Schrovetide (espécie de Terça-feira Gorda), em que habitantes de várias cidades inglesas saíram as ruas chutando uma bola de couro para comemorar a expulsão dos dinamarqueses. A bola simbolizava a cabeça de um invasor.

Por muito tempo o futebol foi meramente um festejo para os ingleses. Lentamente o esporte passou a ficar cada vez mais popular. Tanto que, no século XVI, a violência do jogo era tamanha, que o escritor Philip Stubbes escreveu certa vez: "Um jogo bárbaro, que só estimula a cólera, a inimizade, o ódio, a malícia, o rancor." - O que de fato, era verdade. Era comum no esporte pernas quebradas, roupas rasgadas ou dentes arrancados. Há noticias até de acidentes fatais, como a de um jogador que se afogou ao pular de uma ponte para pegar a bola. Houve também muitos assasinatos devido a rivalidade entre times. Por isso, o esporte ficou conhecido como mass football, "futebol de massa".

Em 1700, foi proibido as formas violentas do futebol. O esporte, então, teve que mudar, e foi ganhando aspectos mais modernos. Em 1710, as escolas de Covent Garden, Strand e Fleet Street passaram a adotar o futebol como atividade física. Com isso, ele logo ganhou novos adeptos, que saíram de esportes como o tiro e a esgrima. Com a difusão do esporte pelos colégios do país, o problema passou a ser os diferentes tipos de regra em cada escola. Duas regras de diferentes colégios ganharam destaque na época: uma, jogada só com os pés, e uma com os pés e as mãos. Criava-se, assim, o football e o rugby, em 1846.

Referência
http://dnaesporte.no.comunidades.net/index.php?pagina=1575178816

Origem do futebol - Soule

Soule (Norte da França – Séc. XII)

Durante a Idade Média, na região onde atualmente fica a França, foi criado o soule, uma versão do harpastum, introduzido pelos romanos entre os anos de 58 e 51 a.C.. As regras do soule variavam de região a região. Seu nome também, onde era chamado de choule na Picardia.

O soule foi um esporte da realeza, praticado pela aristocracia. O rei Henrique II, por exemplo, foi um grande entusiasta do jogo.

Referência:
http://dnaesporte.no.comunidades.net/index.php?pagina=1575178816

Origem do futebol - Calcio Fiorentino

Calcio Fiorentino

No dia de San Giovanni, 24 de Junho, Florença é uma cidade em festa. Para comemorar o seu patrono, disputa-se anualmente a final do torneio de Calcio Storico ou Calcio Fiorentino. O jogo, fundado na época renascentista, é um dos antecessores do futebol moderno, a razão pela qual ainda hoje o futebol em Itália se entende como “calcio”. A sua forma primitiva mantém-se, a brutalidade é inevitável e as similaridades com o rugby parecem, por vezes, mais evidentes, especialmente pelo uso recorrente das mãos e a ausência de uma baliza, substituída por uma linha de fundo delimitada pela própria arena. Mas quem viu ou sabe como era um jogo de futebol até ao século XX encontra as semelhanças sem grande esforço.

Duas equipas, de 27 jogadores, disputam a bola. Cada um tem um uniforme escolhido com cuidado. Há quatro equipas, cada qual representando um dos bairros históricos da cidade. Santa Croce, na parte oriental, Santa Maria la Novella, a zona mais ocidental, Santo Espirito, a sul do rio Arno, e San Giovanni, o centro histórico. Pela primeira vez o uso de equipamentos identificativos sugere que, apesar de ser olhado com mais suspeita que as suas variantes azteca, nipónicas e até mesmo britânicas, muito do sentimento e heráldica do futebol actual começou a desenhar-se aqui, a sede moral do Renascimento.

Referência:
http://www.futebolmagazine.com/calcio-fiorentino-o-futebol-mais-brutal

Origem do futebol - Harpastum

Harpastum (Roma – Séc. III a.C.)



No processo de conquista da Grécia por parte do Império Romano, muitas foram as influências helénicas transpostas ou adaptadas para o dia-a-dia romano. Entre elas encontram-se os jogos recreativos em que uma bola assumia um papel central. Do jogo grego Epskyros, desenvolveu-se um outro a que os romanos denominaram Harpastum, o jogo da bola pequena.

O Harpastum contam mais similitudes com o rugby moderno do que com o futebol que hoje em dia se desenvolve por campos de todo o globo; todavia, a existência de regras rígidas e posições fixas para certos jogadores demonstram haver uma certa ligação entre estes dois desportos tão disperso cultural e temporalmente. Mais do que um jogo recreativo, o Harpastum era um exercício militar que não só permitia manter a forma dos legionários, como estimular a capacidade de decisão e organização de exércitos num campo de batalhar por parte dos oficiais da Legião Romana.

O jogo decorria num recinto rectangular dividido em duas metades por uma linha central, sendo o objectivo de uma equipa fazer a bola ultrapassar a linha final, locus stantium, adversária de forma a pontuar; o uso dos pés era escasso, sendo a bola passada pelos intervenientes com as mãos.

Cada equipa era composta por 5 a 12 elementos, dos quais os mais lentos estavam encarregues de proteger a locus statium da sua equipa e os mais ágeis de transpor a adversário; a transposição da defesa para o ataque era feita por jogadores que actuavam sobre a linha central designados por medicurrens. O tackle era apenas permitido sobre o jogador que detinha a bola, pelo que rapidamente foram sendo desenvolvidas estratégias de passe entre os jogadores; igualmente importantes eram as capacidades de iludir o adversário através de movimentos corporais de forma a ganhar vantagem sobre estes.

A expansão do jogo, que se manteve num hiato temporal de cerca de 700-800 anos, foi profícua dada a vastidão do Império; no entanto, não é certo que tenha exercido qualquer influência sobre as formas do jogo que viriam a ser desenvolvidas na Grã-Bretanha séculos mais tarde.

Referência:
http://lugarcativo.blogspot.com.br/2005/05/harpastum.html

Origem do futebol - Epyskiros

Epyskiros (Grécia – Séc. IV a.C.)



Apesar de jogos com bola nunca terem sido incluídos nos jogos olímpicos da antiguidade, na Grécia a bola foi usada em vários esportes. Epyskiros era um desses jogos, onde a bola era impulsionada com os pés. As bolas gregas eram feitas de bexigas de animais, principalmente porcos ou boi, cheias de crinas, pelos e lãs, não sendo, desta forma, muito diferente das bolas chinesa ou japonesa. Homero, em sua obra Odisseia, já mencionava a prática de jogos com bola. Na peça As Tarquinianas, Sófocles faz uma Epyskiros: jogos com bolaparódia de um jogo em que se utilizam as mãos e uma bola.

A primeira referência ao epyskiros vem do livro Sphairomachia, de Homero, um livro grego só sobre esportes com bolas. Nele é citado o epyskiros, um esporte disputado com os pés, num campo retangular, por duas equipes de nove jogadores. O número desses, porém, podia mudar de acordo com as dimensões do campo. Podia-se ter até 15 jogadores de cada lado, como acontecia no século I a.C. em Esparta. A bola era feita de bexiga de boi e recheada com ar e areia, que deveria ser arremessada para as metas, no fundo de cada lado do campo.

Referências:
http://saudetotalonline.com.br/futebol-correndo-atras-da-bola-e-de-saude/
http://futebolistaepico.blogspot.com.br/2012/05/historia-d-futebol.html

Origem do futebol - Tlachtli

Tlachtli (América central - +- 900 a.C.)



O Tlachtli (também chamado Teotlachtli) possivelmente foi inventado pelos olmecas, visto que uma de suas esculturas mais famosas, “O Lutador”, seria, segundo especialistas, na verdade, um jogador de Tlachtli. Não se sabe como esse esporte era praticado entre os olmecas, mas sabe-se como o jogavam os povos da época da conquista e a homogeneidade era tão grande que se pode concluir que as regras não devem ter sido muito alteradas desde o período olmeca. 

Antes de tudo, é necessário dizer que o Tlachtli não era um esporte praticado por qualquer pessoa e, muito menos em qualquer lugar. Tudo leva a crer que sua prática era revestida de rituais religiosos, visto que só existiam campos para a realização de partidas dentro dos centros cerimoniais e, no mais das vezes, em lugares de bastante destaque. Em algumas cidades as arquibancadas eram tão grande que se pode presumir que uma partida fosse um evento de confraternização entre a cidade e um outro povo próximo. Na própria Tenochtitlán, o Tlachtli era praticado no centro cerimonial, ou seja, na única área da cidade cuja circulação do indivíduo comum estava vedada. 

Um observador que percorra todos os sítios arqueológicos conhecidos da Mesoamérica só encontrará dois tipos de campos (ou quadras) de Tlachtli: um em forma de “I” (como o número um em algarismos romanos, ou seja, com um traço em cima e outro em baixo) e o outro em forma de “T”. Isso que dizer que havia algumas variações de lugar para lugar, no entanto, o primeiro formato é o mais comum. 



O esporte era praticado com uma bola de borracha maciça (mais um indício de que o jogo tenha sido criado pelos olmecas, visto que eles eram os Habitantes do País da Borracha, ou seja, viviam numa região onde as seringueiras, das quais é extraído o látex utilizado na confecção da borracha é retirado), que, aliás, era muito pesada (pesava entre 3kg e 5kg), o que demandava equipamentos de proteção aos jogadores. 

Os times eram compostos de sete jogadores (todos homens, não há indícios de que mulheres tenham praticado o Tlachtli). Era proibido a qualquer jogador reter a posse da bola, sendo assim, o jogo era extremamente dinâmico, pois quem recebia, já passava a pelota. Por sua vez, a bola não podia ser chutada, nem cabeceada, nem mesmo tocada com as mãos; só era permitida a utilização dos joelhos, cotovelos e bacia para tocar a bola ou arremessá-la rumo ao aro de pedra preso na parede. Não havia tempo de duração máximo nem mínimo para uma partida, ela só terminava quando algum time conseguia o objetivo, sendo assim, devido à enorme dificuldade da façanha, acredita-se que muitas partidas levavam mais de seis horas para terminarem. 

Referência:
http://www.nethistoria.com.br/secao/artigos/422/tlachtli_esporte_ou_ritual_de_sangue_/capitulo/3/

Origem do futebol - Kemari

Kemari (Japão – Séc. II a.C.)


Tal como os seus vizinhos chineses, também no Japão surgiu um jogo aparentado com o futebol moderno. O Kemari certamente foi influenciado pelo Tsu Chu, embora estivesse imbuído de um carácter mais lúdico e menos competitivo, sendo descrito como “uma experiência mais dignificante e cerimoniosa”.

O jogo consistia basicamente em passar uma bola feita de camurça entre os vários jogadores (de 2 a 12), utilizando para isso apenas os pés; quando um jogador recebia a bola podia dar os toques que entendesse antes de endossá-la a um companheiro. Este jogo mais recreativo apresenta grandes similitudes com exercícios de recreação praticados nos dias de hoje.

As partidas de Kemari desenrolavam-se num recinto especial, designado por kikutsubo, delimitado pela colocação quadrangular de quatro árvores: uma cerejeira, uma macieira, um salgueiro e um pinheiro.

A data em que o jogo surgiu pela primeira vez não é conhecida com certeza, mas certas evidências textuais remetem para a possibilidade de se ter disputado um jogo entre praticantes de Kemari e Tsu Chu por volta de 50 DC; facto que remeteria para essa data o primeiro jogo internacional de “futebol”.

Referência:
http://lugarcativo.blogspot.com.br/2005/04/o-kemari.html

Origem do futebol - Tsu-chu

Tsu-chu (China – Séc. III a.C.)



O primeiro desses jogos, assim rezam as crônicas, foi o jogo chinês Tsu Chu surgido entre o 2º e o 3º século A.C., embora a sua criação possa remontar a período ainda mais longínquo. O objectivo do jogo consistia em pontapear uma bola de couro, designada por zuqui, através de uma abertura numa rede com cerca de 30 a 40 cm de diâmetro, rede essa que se encontrava suspensa por canas de bambu a cerca de 9 metros do solo, com qualquer parte do corpo exceptuando as mãos. Como se pode imaginar, a tarefa dos jogadores não era propriamente fácil, daí que estes fossem reconhecidos como extremamente dotados do ponto de vista técnico.

A exigência física e técnica do Tsu Chu tornou-o num exercício para os militares chineses, sendo um manual militar da Dinastia Han (206 AC – 220 DC) uma das mais ricas fontes de informação a respeito deste desporto. A versão militar do jogo introduzia adversários que atacavam o jogador de forma a impedir que este conseguisse atingir o objectivo, sendo que a este restava continuar a jogar. Para além de um exercício militar, o Tsu Chu era por vezes jogado como exibição em cerimônias especiais, como era o caso do aniversário do Imperador. Alguns imperadores chineses eram adeptos do desporto o que permitiu um aumento da popularidade do mesmo em todas as franjas populacionais.

A popularidade do desporto entre os chineses manteve-se até perto do séc. XX altura em que foi sendo substituído pelo futebol moderno; consta-se que Marco Pólo, no regresso das suas viagens pelo Oriente, trouxe consigo as regras do jogo, no entanto já se praticava à altura desportos mais similares ao que viria a ser desenvolvida na Grã-Bretanha, não se podendo atribuir ao explorador qualquer influência no desenvolvimento do futebol na Europa.

Referência:
http://lugarcativo.blogspot.com.br/2005/04/o-tsu-chu.html

Origem do futebol - Primórdios


Criado na Grã-Bretanha oitocentista, o futebol tem atrás de si (em termos históricos) uma série de jogos que com ele partilham certas especificidades; sendo a principal o pontapear de uma bola. A inclusão de objetos esféricos em jogos, de caráter lúdico ou ritual, é uma constante nas diversas civilizações que povoaram o nosso planeta. Cada uma à sua maneira, enquadrada no seu espaço temporal e sobretudo cultural, desenvolveu jogos, que não sendo antepassados diretos do futebol moderno, podem ser incluídos numa árvore genealógica como parentes mais próximos ou mais afastados

Cronologia da Bola:

China – 2.000 e 1.500 a.C. – Chutar crânios de inimigos para relaxar.
China – Séc. III a.C. - “tsu-chu” – Exercício Militar
Japão – Séc. II a.C. – “Kemari”- Cerimonial
América central - +- 900 a.C. – “tlachtli” – sentido cosmológico
Grécia – Séc. IV a.C. – “epyskiros” – Atividade lúdica
Roma – Séc. III a.C. – “harpastum” - Exercício Militar
Florença – Séc. XIV/XVI – “cálcio Fiorentino” – espetáculo – regras bem definidas
Norte da França – Séc. XII – “soule” – caráter ritual
Inglaterra – 1.174 – 1.365 – “Shrovetide Football” – Festa religiosa